segunda-feira, 31 de maio de 2010

PALAVRA FRANCA

Eleitores são seres humanos e, como tais, sujeitos à sedução e ao carisma dos candidatos. A maioria dos eleitores não é politizada, ao contrário do que se desejaria num pleito consciente. Muitos votam por simpatia ou pelo bolso, e não por ideologia ou plataforma. Como tudo é relativo, na comparação direta entre os sisudos Dilma e Serra, o tucano começou a parecer doce, risonho e autêntico. Sua imagem mudou. Serra é o favorito entre as mulheres, segundo as pesquisas. A não ser que Lula desenvolva talento de ventríloquo, coloque Dilma no colo e sopre as palavras tocantes do dia a dia, nenhum bruxo marqueteiro poderá fazer com que ela galvanize as massas ou provoque risadas. Parece irônico – e é. Quem tem sido comparado com Lula não é Serra, mas a ministra de ferro. Como criador e criatura não desgrudam, o brasileiro olha para um, olha para a outra, e não acredita que Lula hoje será Dilma amanhã. O eleitor se pergunta: quero ser governado por ela nos próximos quatro anos, depois que Lula sumir para descansar e se divertir? Sem voto no currículo, sem traquejo de palanque, chamando geladeira de “linha branca” e falando em “tecniquês”, Dilma até agora não tem competido com Serra, mas com o fantasma de seu cabo eleitoral: o presidente onipresente, que não larga de seu pé. E que a repreende por ser pouco objetiva e por “falar difícil”. Lula apregoa que a ministra do pré-sal, transformada em candidata por imposição sua, representa a continuidade de seu governo. Dilma projeta a imagem de uma gerenta que pisa forte, mas carece de flexibilidade, sensibilidade e espírito de equipe. Qualidades associadas ao estilo feminino de liderança, justa ou injustamente. “Não adianta mudar a Dilma. Tem de deixar a Dilma continuar a ser como ela é”, disse em palestra na Casa do Saber, no Rio, o publicitário Duda Mendonça, o mesmo que recebeu R$ 10,5 milhões do PT numa conta no exterior e foi aclamado no partido como o guru do Lulinha paz e amor de 2002. “Pegá-la e fazer outra pessoa... Vai ficar numa vestimenta desconfortável... Vai fazer com que ela volta e meia dê uma escorregada.” Duda acha que a chance de Dilma, filha instruída de um rico empreiteiro húngaro, é se desvencilhar da armadura populista do PT ( Ruth Aquino, Revista Época)