segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

POIS É

E mais um ano chega ao fim. Além dos sentimentos normais de um final de ano e a renovação das esperanças para um novo começo, nosso senso de retrospecto nos permite afirmar com certeza de que tudo que sabemos, é que tudo mudou, mas continua a mesma coisa. Alguma coisa agrada a todos; mas na maioria das vezes também tudo prejudica a todos, tudo mesmo. Por isso, rimos, choramos, ganhamos, perdemos, enchemos de esperança, de desesperança, protestamos e às vezes até perdemos o nosso poder de indignação. Mas é assim sempre , fim de ano, e os relógios podem parar, o tempo nem sempre. Em alguns bons momentos até desejamos que a vida pare um pouco. Mas na maioria das vezes ficamos até gratos que o fluxo do tempo caminhe. Dezembro é, sem dúvida, um momento inigualável. Além da beleza das festas, dos fogos e dos presentes, envolve os mais fortes e verdadeiros sentimentos do ser humano. É um pedaço do ano no qual as pessoas mais se abraçam, mais se compreendem, mais se perdoam, portanto, mais se aproximam. É quando paramos para refletir sobre as coisas que fizemos e deixamos de fazer, quando nos unimos para sermos verdadeiros, amigos e solidários, quando as diferenças deixam de existir, quando doamos sem pensar em receber ou quando o amor parece ser infinito. Que bom seria se todos os meses do ano fossem iguais a dezembro, cheios de luz, caridade, reza, agradecimento, postura e decisão. Enfim, o segredo da felicidade está no desejo de realizarmos nossos maiores sonhos e de vibrarmos muito com todas as conquistas dos outros. Feliz natal para todos ... Pois é. ( w.catizany)

RAPIDINHAS

Segundo informações do Comando Rodoviário da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, Marciana da Silva Barcelos faleceu quando o caixão em que estava o corpo de seu marido foi projetado para frente no acidente em que um Alfa Romeo bateu na traseira do carro funerário... “Pois é, neste episódio foi contrariada a famosa frase ATÉ QUE A MORTE OS SEPARE, né ?”

Thomas Beatie , o controvertido "homem" que deu à luz uma menina este ano, está novamente grávido. O transexual fez a confissão à jornalista Bárbara Walters da ABC... “Este ganha da minhoca, vai ser hermafrodita assim lá longe, né ?

Sílvio Brito já dizia em um dos seus maiores sucessos: 'tem que pagar pra nascer, tem que pagar pra viver, tem que pagar pra morrer'. Existe caixão tão chique, que chega a custar R$12.000,00...Que coisa, hem ?

Nilo Peçanha, presidente do Brasil entre 1909 e 1910, era mulato, embora muitas vezes fosse retratado como branco... Pois é, o Brasil também já teve o seu “Obama”.

Quem disse que sutiãs são apenas para mulheres? No Japão, um dos produtos mais vendidos em uma loja on-line de lingeries é o sutiã para homens... Viu ? No Japão também tem “flex”.

Lá eles arranjaram um “Obama”. Aqui temos o “Ibama”. Em Santo Antônio inventamos uma “Obrahma”, loiraça e de colarinho branco...

No próximo ano, onze feriados nacionais serão em dias úteis... Êta trem bom, hem? ... Em compensação vamos trabalhar cento e trinta e três de graça.

Mãe de três filhos, Ivone Carmo da Silva, de 33 anos, finalmente conseguiu provar que é mulher e que seu primeiro nome - Ivonei - foi registrado com erro na certidão de nascimento: ganhou a bolsa família... E é tão simples provar, né ?

Segundo o jornal chinês Nanfang Daily, uma jovem ficou totalmente surda de um ouvido depois de beijar com excessiva paixão o seu namorado. O excesso de paixão provocou o rompimento do tímpano esquerdo da moça... Isso é que é um amor selvagem...

Droga é uma droga, não use, tira a vida; doe sangue, é melhor, salva vidas.

De alguma forma seja solidário... Vamos ajudar nossos irmãos de Santa Catarina.


E NÃO É

Velho Donato

Era ali, fora do centro da cidade, mas não tão longe que a gente não pudesse ir caminhando tranquilamente quase todos os dias ao cair do sol. Nunca fui a um paraíso, mas aquele lugar era quase igual. Um pedaço do céu de frente para o poço da canoa e para minha escola, na divisa dos terrenos da Fazenda do Espedito com o Sítio dos “Pindiu”, bem debaixo de uma frondosa gameleira. Do lado de cima, a estrada e uma porteira; do lado de baixo, um gramado cercado de alecrim e um tronco antigo de amoreira, caído num barranco cheio de areia branca e que servia de assento para os pescadores. Um pesqueiro ideal para dar “banho nas minhocas” importadas do quintal do Serrador e esquecer daquelas coisas ruins da vida, que amolam a gente na infância. Com minha varinha de bambuzinho secada na chapa do fogão de lenha lá de casa, linha de plástico número dez e anzol “olho de mosquito”, comprados na venda do “Sô” João , era “tiro e queda”: lambari, timburé, cará e piauzinho, todo instante; um ceveiro de tanta fartura que se a gente bobeasse, os peixes pulavam do lado de fora e levavam o “cuitezinho” de iscas. A fieira era de arame e a quantidade de peixe, avaliada por metro. E para ser bom pescador na minha terra, tinha que pescar no mínimo sete metros de peixes por semana, medidos na fita métrica da Didi ou da dona Clotildes, costureiras que moravam perto da minha casa, do lado direito de quem descia a antiga rua Direita. Isto já descontada a meia dúzia de Cará que a gente, religiosamente tinha de jogar para o Bali, um cachorro pintado metido a besta, que ficava deitado na porteira do curral da casa do Damazinho, na beira da estrada, espreitando quem passava de volta. Era um trato, sem documento, que eu tinha feito com a “fera” e garantia de uma volta tranqüila por aquele caminho. Um dia, como todos os outros, uma coisa foi diferente - quase sujei a calça. E olha que se isto tivesse acontecido, não era de areia não e seria uma vergonha voltar p’ra casa todo... Isto aconteceu quando fisguei um timburé bem graúdo e virei para espetá-lo na fieira, uma cobra jaracussu campeiro de papo amarelo, de mais ou menos um metro e setenta, e de língua p’ra fora da boca estava de bote armado querendo negociar os outros peixes comigo. Tomei o maior prejuízo, pois quase sem pernas p’ra correr, deixei tudo para traz e foi a primeira vez que entrei naquela casinha plantada entre as bananeiras, as canas, os urucuns e as laranjeiras, numa pequena chácara do lado de cima da estrada, no sentido da jaguara e do Jacaré. Era mais do que necessário tomar uma água fresca, me refazer do susto e “sem querer querendo” aceitar a cortesia de um cafezinho de garapa. Foi assim que fiquei amigo do Velho Donato, um tipo impar, cabelos brancos em desalinho, mãos de tirar leite, voz macia e baixa, que além de vaqueiro e tomar uma pinguinha sempre, gostava de ajudar fazer o Judas todo sábado de aleluia e participar da farra que a rapaziada fazia a noite inteira pelas ruas da cidade, malhando o traidor de Cristo encima de um cavalo. Fiquei amigo também da “Satelina”, esposa do velho Donato e tal foi a empatia, que trocamos causos e risadas e acabei ficando para o jantar. Era um casal sem filhos, mas de uma simpatia inigualável e não demorou muito fiquei conhecendo o resto de sua família: uma sanfoninha surrada e já meio furada pelas traças, seu cachorro “Pitoco”, suas galinhas de pescoço pelado, suas angolas de ovos azuis e o “Compadre”, seu cavalo de estimação. Minha satisfação foi tão grande que de imediato adotei os dois como meus avós e os convidei para almoçar na minha casa no domingo seguinte, mesmo sem prevenir minha mãe. Mas, jovem é jovem e aquela turma não era brincadeira. Onde estava o Brocha, o Mazinho, o Saruê, o Dão, o Preto, o Viana, o César e outros ( eu, etc ), por perto estava também a sacanagem. Na Semana Santa, quando terminávamos de fazer o boneco objeto da farra, recheado de amendoim, balas, bombons, traques e bombas, era momento de fazer as “quadrinhas”, escolher as cantorias e arranjar um nome para o malvado. E era aí, que vinha a sacanagem: tínhamos que arranjar um cavalo para o judas.“Tacavam” cachaça no “Vô Donato” e sem que ele desse conta, o cavalo escolhido, era o “Compadre”. Quando o dia já estava claro e o sujeito desta farra já havia sido deixado em sua chácara no adro da Igreja, toda ornamentada com os vasos de flores da Dona Nenzinha, retirados da casa dela pelos fundos e de jangada, o velho Donato, refeito do porre e tomando conhecimento da traição, riscava sua faca pelas pedras da escada da Igreja, mas dois, três dias depois, tudo voltava ao normal. Após a missa das onze, o inventário do judas era lido, os seus pertences repartidos e as bombas e traques começavam a pipocar e fazer a alegria da meninada. Os preparativos para a próxima farra, começavam naquela semana mesmo, e foi assim por várias aleluias. Na ultima brincadeira nossa, resolvemos fazer um compromisso: iríamos escolher outro cavalo e aposentar o “Compadre”. O velho Donato ficou muito alegre, animado, mas por precaução levou seu animal p’ra longe, um pasto bem distante, lá na fazenda do “Sô” Nezito. Mas Jovem é jovem, já disse: o Silvério descobriu onde estava o “Compadre”. Pois é, o “Sô” Benedito, como se tivesse fazendo um favor para o Quim, trouxe da cidade de Morro do Pilar a tinta que era para a turma e o cavalo escolhido que era todo branco, ficou preto com uma estrela na testa e, naquele sábado do final dos anos sessenta, carregou o Judas na sela com o Velho Donato na garupa, segurando o boneco, rua abaixo, rua acima. No domingo, depois da missa e da farra, o Velho agradeceu a todos e saiu feliz, pensando: - “Desta vez o “Compadre” ficou de fora, “ tá longe”... Tomou umas e outras na venda do Zé Camilo, e no final da tarde quando chegava em casa, naquele paraíso que já descrevi, trocando os passos, viu aquele cavalo preto de estrela na testa, pastando na beira do rio, olhou o animal, riu de satisfação e depois de mais uma vez ser repreendido pela Satelina por ter abusado da “malvada”, pegou sua sanfoninha e foi sentar perto da janela. A sanfona e sua voz estavam tão desafinadas que choveu forte na mesma hora, um verdadeiro temporal. Com a chuva, o cavalo foi descolorindo, reencarnando a identidade original e se transformou novamente no “Compadre”. O velho Donato que tinha a voz macia e baixa, deu um grito de raiva tão alto, que quem estava na cidade, há quase dois quilômetros de distância, tomou o maior susto. O “Vô”, pegou seu facão afiado, foi para a estrada, despejando sua raiva no que encontrava pela frente. Havia sido enganado feio como das outras vezes e o resultado de sua ira foi um buraco profundo no tronco frondoso daquela gameleira branca, teto do meu pesqueiro, feito pela ponta de seu facão afiado. Passou a noite ali, praguejando e furando o tronco da árvore. Mas no outro dia, era outro dia. Um enxame de abelhas vindas dos lados da Barra, achou aquele lugar ideal e tomou posse daquela morada. Os anos passaram e o “Compadre”, coitado, já velho e aposentado, foi levado por um enchente grande do Rio Santo Antônio. A “Vó”, também foi chamada por Deus e em seguida, o “Vô” Donato também se foi, chamado pela Satelina, e tragado tragicamente pelas labaredas daquele incêndio. A casinha só ficou na imaginação, mas as abelhas, continuaram e parece que já estão na vigésima sétima geração. E hoje, toda vez que alguém ultrapassa os limites daquela cerca de arame farpado, elas se armam enfurecidas e declaram guerra a quem quer que seja. Dizem que recebem ordem do velho Donato, que lá de cima, ainda tenta proteger a sombra do “Compadre”, que às vezes nas noites de lua pasta tranquilamente naquele paraíso... ( w.catizany )

FOTOS DO BLOG

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PALAVRA FRANCA

Deus chamou o seu anjo mais querido, e lhe apresentou o modelo de mãe. O anjo não gostou do que viu:- O Senhor tem trabalhado muitas horas extras, já não sabe mais o que está fazendo – disse o anjo. – Olha só! Beijo especial que cura qualquer doença, seis pares de mãos para cozinhar, lavar, passar, acariciar, segurar, limpar – isso não vai dar certo!- O problema não é as mãos – respondeu Deus. – São os três pares de olhos que precisei colocar: um que permita ver seu filho através de portas fechadas, e protegê-lo de janelas abertas. Outro para mostrar severidade na hora de dar uma educação sólida. E o terceiro para ficar constantemente demonstrando amor, ternura, apesar de todo o trabalho que ela terá! O anjo examinou o modelo de mãe com mais cuidado:- E isso aqui, o que é?- Um dispositivo de autocura. Ela não terá tempo de ficar doente, vai ter que cuidar do marido, dos filhos, da casa. - Acho melhor o Senhor descansar um pouco – disse o anjo. – E voltar para o modelo normal, com dois braços, um par de olhos, etc. Deus deu razão ao anjo. Depois de descansar, transformou a mãe numa mulher normal. Mas alertou o anjo:- Precisei colocar nela uma vontade tão grande, que se sentirá com seis braços, três pares de olhos, sistema de auto-cura. Ou não será capaz de dar conta da tarefa. O anjo examinou-a de perto. Desta vez, em sua opinião, Deus tinha acertado. De repente, notou uma falha:- Ela está vazando. Acho que o Senhor, de novo, colocou muita coisa neste modelo. - Não é um vazamento. Chama-se lágrima. - Serve para que?- Para alegria, tristeza, desapontamento, dor, orgulho, entusiasmo. - O Senhor é um gênio – disse o anjo. – Era justamente o que estava faltando para o modelo completo. Deus, com um ar sombrio, respondeu:- Não fui eu quem colocou. Quando eu juntei as peças, a lágrima apareceu. Mesmo assim o anjo deu parabéns ao Todo-Poderoso, e as mães foram criadas ( Crônica de Paulo Coelho)

FUNDO DO BAÚ

Se eu pudesse

Se eu pudesse
Rasgar o espaço,
Abrir os braços
E te dar um abraço;
Se eu pudesse
Num lampejo,
Definir o desejo
E te dar um beijo;
Se eu pudesse
Parar a lua
No meio da rua
Para te iluminar;
E ainda pudesse
Segurar o vento
Em pensamento
E te redescobrir,
Ah se eu pudesse...
(w.catizany
)