Ando em busca de um encontro com a verdade, nem que seja por tempo escasso, mas está difícil. É que tenho escutado tanto falatório estes dias, tanto “disse-me-disse”, que está uma barra raciocinar no meio de toda essa confusão, aproveitar alguma coisa. É por isso que de vez em quando, como quem não está satisfeito com esta situação, com os rumos do cotidiano, procuro outros assuntos que não seja os normais da mídia. Numa destas minhas investidas encontrei um texto interessante, uma fábula antiga, que a seguir transcrevo para o conhecimento de todos vocês. – “ Certa vez, um macaco, desses bem astutos, quis fazer um bolo, mas não tinha os ingredientes. Resolveu comprá-los de alguns vizinhos, comprometendo-se pagar a dívida em 24 horas. Da galinha pegou os ovos; da raposa, o trigo; do cachorro, o açúcar; e da onça, o fermento. Dia seguinte, com intervalos de meia hora, os quatro credores apareceram. A galinha foi a primeira. O macaco esticou conversa, até ver a raposa apontar na esquina. Mandou a penosa se esconder atrás do armário. A um sinal traidor do macaco, a galinha virou refeição da raposa. O cachorro chegou e devorou a raposa e, por fim, a onça, engoliu o cachorro. E aí a feroz credora quis receber pelo fermento. Indefeso, mas com fina astúcia, o macaco convenceu a onça de que ela tinha na barriga uma galinha, uma raposa e um cachorro, um régio pagamento. O sossego durou um dia. Faminta de novo, a onça espreitou aquele que se achava o mais esperto da terra e, não recebendo o que ele lhe devia, comeu-o também.” – Sem querer querendo, mas retornando o pensamento a um dos assuntos do momento – a política, esta fábula se encaixa direitinho na realidade atual. Nós não merecemos viver num reino de macacos, de raposas, onças, cães e galinhas e se não tivermos o devido cuidado, se não acompanharmos bem de perto o desfecho desta lição, estes bichos poderão se reencarnar novamente, razão pela qual tiro uma lição importante deste episódio: devo ser sempre contra a continuidade política, a reeleição em todos os níveis e a favor do rodízio de cargos, pois é público e notório a lambança que aqueles que fazem as leis, que aqueles que executam as leis e aqueles que julgam as leis estão fazendo. Mas, uma vez mais censurando meus pensamentos e outra vez fugindo destes assuntos, procuro consolo na música, e o místico Zé Ramalho, com sua voz rouca, continua: “Novamente a idéia de sairmos do poço, da fundura do poço, da garganta do poço... na voz de um cantador...” Pois é...
