Não sei porque todo freqüentador de “Buteco” é taxado de mentiroso. Qualquer história que conta, pode ser a mais pura verdade, alguém ainda coloca dúvida. Talvez se passassem pelo menos uma vez por semana pelo Quiosque Fim de Tarde na minha “Terrinha”, não duvidariam das histórias por lá contadas. Vou contar um “causo” que ouvi numa das rodas de caipirinha quando lá estive nas últimas férias. E olhem que presentes estavam no mínimo sete testemunhas que juraram de pés juntos a veracidade do acontecido. Pois bem, ouvi que nos idos da década de setenta, quando em nossa cidade o desenvolvimento ainda engatinhava e não havia energia elétrica da CEMIG e apenas uma “luzinha” produzida por um motor barulhento, religiosamente ligado às seis da tarde e desligado às dez da noite, formou-se repentinamente uma tempestade no início de uma noite destes dias de fim de semana e a cidade se fez “breu” antes da hora. Foi um alvoroço e todas as pessoas ficaram muito assustadas. Algumas fecharam as casas mais cedo, outras correram para lugar seguro e aqueles que jogavam conversa fora, escorados nos balcões das vendas e tinham um cavalo amarrado na cerca do lado, tomaram num só gole a famosa “saideira”, pularam em seus animais e “pernas para quem tem”. A rua, que nunca teve sinalização, ficou literalmente congestionada. Uns subiam, outros desciam e naquela escuridão ninguém lembrava de obedecer limite algum de velocidade. Foi aí que aconteceu o que não devia: O Morais, que morava no Sítio das Cabaças e vinha subindo a rua montado no “Sabonete” fazendo cem por hora, bateu violentamente e de frente no “Cristel”, que era pilotado pelo outro Morais, o Ernani da Fazenda dos Bambus e que descia a mesma rua em sentido contrário, exatamente na curva em frente ao Cemitério. O Morais 2, que hoje é até político no município, passou pelo Morais 1, que deixou de ser fazendeiro para ser comerciante em Contagem – MG, numa altura de quase três metros do chão. E dizem, que foi um milagre, sofrerem apenas algumas escoriações, sem gravidade. A mesma sorte não tiveram os veículos, digo os pobres cavalos. O “Cristel”, com o choque, faleceu na hora e o outro, o “Sabonete”, quebrou as pernas e teve que ser sacrificado pouco depois do acidente. A tempestade espalhava rapidamente e a escuridão já fazia medo até em vagalumes, mas diante da gravidade, alguém meio estranho, de voz quase indecifrável, da penumbra da janela da Delegacia comunicou o fato ao Antônio Soldado, hoje sargento aposentado em Jaboticatubas – MG, e o chamou para fazer o devido “BO”. Ao chegarem ao local, o policial e sua equipe, já foram anotando o nome dos “Jóqueis” envolvidos, a identificação dos cavalos, a quem pertenciam e no final inquiriu algumas testemunhas. O Morais 1, que também é José, ainda meio atordoado disse que haviam algumas pessoas e que elas estavam encostadas no muro, debaixo da centenária árvore de Vinhático que fica do lado de cima da rua e que esta foi sua última visão aérea. Completando, o Ernani, que é o Morais 2, disse que eles provavelmente viram tudo e apontou para uns velhinhos e umas velhinhas, vestidos de branco, que caminhavam em fila indiana rumo ao portão de ferro do Cemitério. O policial reconheceu entre os velhinhos, a pessoa que o havia chamado na Delegacia e em seguida calou-se. Houve um instante de silêncio que só foi quebrado quando o soldado, com a voz um tanto quanto trêmula e a pele meio sem cor, propôs deixar tudo como estava, cada um, provisoriamente, com seu prejuízo e que no outro dia, à luz do dia, resolveriam o resto. Pânico geral entre os que ali estavam: um vulto saiu daquela escuridão, arrepiando a todos. Era o Chiquinho, zelador daquele quinhão, que tinha esquecido o portão do Cemitério aberto e subiu pelo atalho sem ser visto, para fechá-lo. O outro dia chegou, os cavalos foram sepultados, o tempo passou, mas as testemunhas não foram identificadas e o caso foi arquivado. Dizem alguns, que até nos dias de hoje, em madrugadas escuras como aquela da noite da batida, pode-se ver alguns velhinhos como aqueles, cavalgando tranquilamente nos arredores daquele vinhático, no lombo de dois cavalos muito parecidos com o Cristel.” e o “Sabonete”. .. E não é ? (. Catizany)
quarta-feira, 1 de abril de 2009
E NÃO É
A BATIDA DOS CAVALOS
Não sei porque todo freqüentador de “Buteco” é taxado de mentiroso. Qualquer história que conta, pode ser a mais pura verdade, alguém ainda coloca dúvida. Talvez se passassem pelo menos uma vez por semana pelo Quiosque Fim de Tarde na minha “Terrinha”, não duvidariam das histórias por lá contadas. Vou contar um “causo” que ouvi numa das rodas de caipirinha quando lá estive nas últimas férias. E olhem que presentes estavam no mínimo sete testemunhas que juraram de pés juntos a veracidade do acontecido. Pois bem, ouvi que nos idos da década de setenta, quando em nossa cidade o desenvolvimento ainda engatinhava e não havia energia elétrica da CEMIG e apenas uma “luzinha” produzida por um motor barulhento, religiosamente ligado às seis da tarde e desligado às dez da noite, formou-se repentinamente uma tempestade no início de uma noite destes dias de fim de semana e a cidade se fez “breu” antes da hora. Foi um alvoroço e todas as pessoas ficaram muito assustadas. Algumas fecharam as casas mais cedo, outras correram para lugar seguro e aqueles que jogavam conversa fora, escorados nos balcões das vendas e tinham um cavalo amarrado na cerca do lado, tomaram num só gole a famosa “saideira”, pularam em seus animais e “pernas para quem tem”. A rua, que nunca teve sinalização, ficou literalmente congestionada. Uns subiam, outros desciam e naquela escuridão ninguém lembrava de obedecer limite algum de velocidade. Foi aí que aconteceu o que não devia: O Morais, que morava no Sítio das Cabaças e vinha subindo a rua montado no “Sabonete” fazendo cem por hora, bateu violentamente e de frente no “Cristel”, que era pilotado pelo outro Morais, o Ernani da Fazenda dos Bambus e que descia a mesma rua em sentido contrário, exatamente na curva em frente ao Cemitério. O Morais 2, que hoje é até político no município, passou pelo Morais 1, que deixou de ser fazendeiro para ser comerciante em Contagem – MG, numa altura de quase três metros do chão. E dizem, que foi um milagre, sofrerem apenas algumas escoriações, sem gravidade. A mesma sorte não tiveram os veículos, digo os pobres cavalos. O “Cristel”, com o choque, faleceu na hora e o outro, o “Sabonete”, quebrou as pernas e teve que ser sacrificado pouco depois do acidente. A tempestade espalhava rapidamente e a escuridão já fazia medo até em vagalumes, mas diante da gravidade, alguém meio estranho, de voz quase indecifrável, da penumbra da janela da Delegacia comunicou o fato ao Antônio Soldado, hoje sargento aposentado em Jaboticatubas – MG, e o chamou para fazer o devido “BO”. Ao chegarem ao local, o policial e sua equipe, já foram anotando o nome dos “Jóqueis” envolvidos, a identificação dos cavalos, a quem pertenciam e no final inquiriu algumas testemunhas. O Morais 1, que também é José, ainda meio atordoado disse que haviam algumas pessoas e que elas estavam encostadas no muro, debaixo da centenária árvore de Vinhático que fica do lado de cima da rua e que esta foi sua última visão aérea. Completando, o Ernani, que é o Morais 2, disse que eles provavelmente viram tudo e apontou para uns velhinhos e umas velhinhas, vestidos de branco, que caminhavam em fila indiana rumo ao portão de ferro do Cemitério. O policial reconheceu entre os velhinhos, a pessoa que o havia chamado na Delegacia e em seguida calou-se. Houve um instante de silêncio que só foi quebrado quando o soldado, com a voz um tanto quanto trêmula e a pele meio sem cor, propôs deixar tudo como estava, cada um, provisoriamente, com seu prejuízo e que no outro dia, à luz do dia, resolveriam o resto. Pânico geral entre os que ali estavam: um vulto saiu daquela escuridão, arrepiando a todos. Era o Chiquinho, zelador daquele quinhão, que tinha esquecido o portão do Cemitério aberto e subiu pelo atalho sem ser visto, para fechá-lo. O outro dia chegou, os cavalos foram sepultados, o tempo passou, mas as testemunhas não foram identificadas e o caso foi arquivado. Dizem alguns, que até nos dias de hoje, em madrugadas escuras como aquela da noite da batida, pode-se ver alguns velhinhos como aqueles, cavalgando tranquilamente nos arredores daquele vinhático, no lombo de dois cavalos muito parecidos com o Cristel.” e o “Sabonete”. .. E não é ? (. Catizany)
Não sei porque todo freqüentador de “Buteco” é taxado de mentiroso. Qualquer história que conta, pode ser a mais pura verdade, alguém ainda coloca dúvida. Talvez se passassem pelo menos uma vez por semana pelo Quiosque Fim de Tarde na minha “Terrinha”, não duvidariam das histórias por lá contadas. Vou contar um “causo” que ouvi numa das rodas de caipirinha quando lá estive nas últimas férias. E olhem que presentes estavam no mínimo sete testemunhas que juraram de pés juntos a veracidade do acontecido. Pois bem, ouvi que nos idos da década de setenta, quando em nossa cidade o desenvolvimento ainda engatinhava e não havia energia elétrica da CEMIG e apenas uma “luzinha” produzida por um motor barulhento, religiosamente ligado às seis da tarde e desligado às dez da noite, formou-se repentinamente uma tempestade no início de uma noite destes dias de fim de semana e a cidade se fez “breu” antes da hora. Foi um alvoroço e todas as pessoas ficaram muito assustadas. Algumas fecharam as casas mais cedo, outras correram para lugar seguro e aqueles que jogavam conversa fora, escorados nos balcões das vendas e tinham um cavalo amarrado na cerca do lado, tomaram num só gole a famosa “saideira”, pularam em seus animais e “pernas para quem tem”. A rua, que nunca teve sinalização, ficou literalmente congestionada. Uns subiam, outros desciam e naquela escuridão ninguém lembrava de obedecer limite algum de velocidade. Foi aí que aconteceu o que não devia: O Morais, que morava no Sítio das Cabaças e vinha subindo a rua montado no “Sabonete” fazendo cem por hora, bateu violentamente e de frente no “Cristel”, que era pilotado pelo outro Morais, o Ernani da Fazenda dos Bambus e que descia a mesma rua em sentido contrário, exatamente na curva em frente ao Cemitério. O Morais 2, que hoje é até político no município, passou pelo Morais 1, que deixou de ser fazendeiro para ser comerciante em Contagem – MG, numa altura de quase três metros do chão. E dizem, que foi um milagre, sofrerem apenas algumas escoriações, sem gravidade. A mesma sorte não tiveram os veículos, digo os pobres cavalos. O “Cristel”, com o choque, faleceu na hora e o outro, o “Sabonete”, quebrou as pernas e teve que ser sacrificado pouco depois do acidente. A tempestade espalhava rapidamente e a escuridão já fazia medo até em vagalumes, mas diante da gravidade, alguém meio estranho, de voz quase indecifrável, da penumbra da janela da Delegacia comunicou o fato ao Antônio Soldado, hoje sargento aposentado em Jaboticatubas – MG, e o chamou para fazer o devido “BO”. Ao chegarem ao local, o policial e sua equipe, já foram anotando o nome dos “Jóqueis” envolvidos, a identificação dos cavalos, a quem pertenciam e no final inquiriu algumas testemunhas. O Morais 1, que também é José, ainda meio atordoado disse que haviam algumas pessoas e que elas estavam encostadas no muro, debaixo da centenária árvore de Vinhático que fica do lado de cima da rua e que esta foi sua última visão aérea. Completando, o Ernani, que é o Morais 2, disse que eles provavelmente viram tudo e apontou para uns velhinhos e umas velhinhas, vestidos de branco, que caminhavam em fila indiana rumo ao portão de ferro do Cemitério. O policial reconheceu entre os velhinhos, a pessoa que o havia chamado na Delegacia e em seguida calou-se. Houve um instante de silêncio que só foi quebrado quando o soldado, com a voz um tanto quanto trêmula e a pele meio sem cor, propôs deixar tudo como estava, cada um, provisoriamente, com seu prejuízo e que no outro dia, à luz do dia, resolveriam o resto. Pânico geral entre os que ali estavam: um vulto saiu daquela escuridão, arrepiando a todos. Era o Chiquinho, zelador daquele quinhão, que tinha esquecido o portão do Cemitério aberto e subiu pelo atalho sem ser visto, para fechá-lo. O outro dia chegou, os cavalos foram sepultados, o tempo passou, mas as testemunhas não foram identificadas e o caso foi arquivado. Dizem alguns, que até nos dias de hoje, em madrugadas escuras como aquela da noite da batida, pode-se ver alguns velhinhos como aqueles, cavalgando tranquilamente nos arredores daquele vinhático, no lombo de dois cavalos muito parecidos com o Cristel.” e o “Sabonete”. .. E não é ? (. Catizany)
