Neste início de dia em que busco exercitar minha memória numa regressão empírica, chego às ruas empoeiradas e estreitas onde deixei minha infância: aquela cidadezinha inesquecível. A “boca” da ponte, a praia, a “máquina” de fazer rédeas da dona Carmelita, a vendinha do Cicino, as ferramentas do Zé Serrador, as quitandas da Maria Martins, da Nenzinha, da dona Levita e da dona Lucy, enfim tantas outras coisas. Havia ainda, o rangido dos dentes do Joãozinho do Mestre, os Correios da dona Edzina, os ensinamentos da dona Fina, dona Geralda, dona Mercês e da dona Eva... O jogo de “finca”, o “31 de janeiro”, o “Brasil contra a Alemanha”, as primeiras namoradinhas, os “Beatles”... Quanto tempo ! E a vida foi passando e os sonhos aumentando... Chegou a calça comprida, a responsabilidade e necessidade de mudança, de colocar em prática projetos guardados a sete chaves. A senha era partir, transformar a teoria dos sonhos em prática de vida. E assim me deixei levar em busca de estruturas, de parcerias, de realizações. E o tempo foi passando e passou tanto que só agora, do outro lado de onde nascia o sol, vendo você, Renan, sair para o primeiro dia do seu curso de Engenharia, lembrei-me de parar e com imenso prazer, celebrar as lembranças, o tempo e a vida . Valeu, meu filho, por me proporcionar este momento mágico de introspecção.
