domingo, 1 de março de 2009

POIS É

Em toda nossa existência é uma constante estarmos realizando alguma coisa. Quando realizamos para nós mesmos e não dá certo ou falta capacidade, a pena é a frustração ou um prejuízo material. Mas, quando estamos a serviço dos outros e o objetivo não é alcançado, outros detalhes devem compor o julgamento e além da frustração soma-se um ressarcimento e mais uma responsabilização pelas conseqüências. Assim deduzindo, um administrador só pode ser administrador, quando conhecer as metas, o que fazer, como fazer, porque fazer, quando fazer, enfim se está certo fazer. Daí, deve ser preparado, instruído, assessorado e treinado para bem fazer, principalmente se a missão for pública. Deve ter responsabilidade e estar sujeito à responsabilização. E por um princípio elementar de justiça, ainda deve ser um gestor capaz e honesto. Todas essas reflexões nos vêm à mente diante de situações a nós apresentadas quase diariamente - a gestão indevida da coisa pública, a má fé ou incapacidade de muitos políticos. E assim, nada se muda, nada se cria e o pão, o vinho, o circo, continuam sendo distribuídos. O judiciário é lento e omisso, o legislativo é negociante e gastador indevido e, por último, o executivo é vaidoso e bom pagador. Em tal situação, Juridicamente, não há culpa explícita; moralmente, tudo torna-se aceitável; e politicamente, só nos resta lamentar pelo rico ficar cada vez mais rico, o pobre cada vez mais pobre, o esperto cada vez mais esperto, o bobo cada vez mais bobo e o pequeno cada vez menor. Talvez tudo isso esteja continuando, sucessivamente, em razão da maioria dos eleitores estar comprometida não com a justiça e o direito, mas sim com sua ideologia, já de há muito superada.Pois é.... (w.catizany)

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ABRA UM DOS ALBUNS

RAPIDINHAS

Em setembro de 2008, havia 1,1 milhão de estudantes estagiando. Tal número caiu para 900 mil em janeiro de 2009, após a nova lei... E o primeiro emprego, hem ?

As unidades da Receita Federal, do INSS, do Ministério do Trabalho e do Ministério da Agricultura não podem mais pedir aos cidadãos o reconhecimento de firma e a autenticação de documentos... Demorou, hem ?


Começa às 8h deste 2 de março, e se estende até a meia-noite do dia 30 de abril, o período para entregar a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2009, ano-base 2008... Cuidado com o leão !


Balançaram tudo neste carnaval, até camisinha no palanque... E olha quem balançou, né ?


Os bancos já tomaram judicialmente mais de 100 mil carros de quem comprou financiado... Pois é !


Doe sangue, não use droga e preserve o meio ambiente.

PALAVRA FRANCA

Dos 214 mil professores que se submeteram à prova da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, 3.000 tiraram zero: não acertaram uma única questão sobre a matéria que dão ou deveriam dar em sala de aula. Apenas 111, o que é estatisticamente irrelevante, tiraram nota dez. Os números finais ainda não foram tabulados, mas recebo a informação que pelo menos metade dos professores ficaria abaixo de cinco. Essa prova tocou no coração do problema do ensino no Brasil, o resto é detalhe. Como esperar que um aluno de um professor que tira nota ruim ou mediana possa ter bom desempenho? Impossível. Se fosse para levar a sério a educação, provas desse tipo deveriam ser periódicas em toda a rede (assim como os alunos também são submetidos a provas). Quem não passasse deveria ser afastado para receber um curso de capacitação para tentar se habilitar a voltar para a escola. A obrigação do poder público é divulgar as listas com as notas para que os pais saibam na mão de quem estão seus filhos. Mas a culpa, vamos reconhecer, não é só do professor. O maior culpado é o poder público que oferece baixos salários e das universidades que não conseguem preparar os docentes. Para completar, os sindicatos preferem proteger a mediocridade e se recusam a apoiar medidas que valorizem o mérito. O grande desafio brasileiro é atrair os talentos para as escolas públicas --sem isso, seremos sempre uma democracia capenga. Pelo número de professores reprovados na prova, vemos como essa meta está distante. ( Gilberto Dimenstein, Folha de São Paulo)

POEMA

Amor de Carnaval

Queria falar
De um tempo passado,
Um resto de lembrança,
De uma imagem risonha
Que às vezes ainda invade
Minhas noites de insônia.
Queria lembrar
Os momentos de delírio,

O entrelaçar dos corpos,
As palavras soltas
Que o vento levou
Sem respostas.

Queria relembrar
O brilho de seus olhos,
A cor de sua pele,

O beijo roubado,
O seu nome,
Mas o tempo acabou.
Ficou apenas a certeza
Que foi tudo fantasia
Aqueles nossos momentos
De loucura na avenida,

E que nossa história
Foi apenas papel picado
Para fazer as cinzas
Daquela quarta-feira.
(w.catizany)

E NÃO É

O ASSOMBRAÇÃO DA GAMELEIRA

Isto aconteceu num final de semana do mês de julho de alguns anos atrás, quando nem luz elétrica ainda havia na “terrinha”. Em frente a casa do Gentil, existia um casarão de propriedade do Avelino e que posteriormente foi adquirida pelo Alfredinho, que montou ali uma pensão para viajantes e um barzinho aconchegante, numa construção em anexo. Este barzinho transformou-se no ponto de encontro das pessoas, por um tempo. Todas as noites, além dos peixinhos fritos, da cachacinha pura e da cervejinha gelada em geladeira de querosene, sob a luz de um lampião Aladim jogava-se sinuca, truco e conversa fora. Entre tantos, havia dois fregueses assíduos do estabelecimento e parceiros inseparáveis nas partidas de truco - o Zezito e o Zabé. Enquanto estavam no bar, a alegria era total. Era truco p’ra cá, seis p’ra lá, tapa na mesa, mão naquilo e risos da platéia. O grande problema era na hora de ir embora, não podia passar das nove e pouco. Os atletas do baralho moravam um pouco fora da rua, numa área rural, e tinham que passar numa estradinha bem estreita, do outro lado do rio, onde existia uma frondosa gameleira na beira do barranco do lado esquerdo, sentido sul, rumo ao Jacaré. Todos os fregueses do Alfredinho e o resto da cidade, conheciam a história e tinham medo de passar debaixo daquela árvore depois das dez horas, por causa de uma assombração; inclusive o Zezito e o Zabé, que temiam encontrar com a danada. Diziam que uma mulher vestida de branco, de chapéu panamá enterrado na cabeça e sapato preto, rasgado, de dedos às vistas, realizava seu passeio noturno e ali descansava por alguns momentos, quase todas as noites, mas principalmente nas segundas, quartas e sextas. Entre nove e nove e meia da noite era o limite para quem quisesse passar por aquelas bandas sem nenhum transtorno. Por isso quando os ponteiros do relógio abriam os braços, marcando nove e quinze, eles largavam tudo e pernas para quem tem. Passavam pelo local com passos largos, conversando alto e sempre portando duas tacas de couro de vaca preta, trançadas em cruz pelo Ataíde. E mesmo assim passavam desconfiados, arrepiados e atentos, até porque um pouquinho à frente do lado direito, existia uma cruz de madeira fincada na beira da estrada e que marcava, como é costume no interior, o local onde alguém deveria ter falecido de repente. Parecia até enredo de novela, cada dia era acrescido na história, um novo episódio, um novo detalhe. Já havia gente séria que afirmava ter visto a mulher se banhando nas águas do rio Santo Antônio, “peladona”; outros diziam que ela era careca por isso usava chapéu e alguns juravam que ela era banguela e que suas unhas eram vermelhas. Até mesmo as folhas que caíam da árvore se transformavam, nas palavras dos medrosos, em pedras atiradas nas pessoas que passavam, pela dona de branco. Numa sexta-feira diferente, em que havia festa na rua, o Zezito e o Zabé distraíram-se no bar e esqueceram da hora. Todos presentes, perceberam, mas ninguém avisou e até atrasaram o relógio que ficava por cima da geladeira; afinal alguém aguardava aquela situação havia muito tempo. Já passava das onze da noite quando a dupla saiu, fora do prumo e de direção, medindo a largura da ponte e cheia de coragem, disposta a enfrentar tudo. A turma que sempre aprontava e conhecia bem o medo dos dois, também saiu de mansinho e desceu a rua Silvestre da Costa Lage, que antigamente chamava rua Direita. Subiu até o Adro da Igreja Matriz e se instalou debaixo do centenário pé de jenipapo que havia ali, para assistir a “peleja do sobrenatural”, pois fatalmente os dois iriam deparar com a assombração da gameleira. A visão da turma estava favorecida pela luz da lua que brilhava e iluminava todos os lugares, inclusive o outro lado do rio. Quando os dois chegaram perto da gameleira, o Zabé avistou a “branquela” e cheio de coragem, gritou " - Dona assombração eu quero passar, eu não mexo com a senhora e a senhora não mexe comigo". “Tá precisando de reza ? Eu rezo p’ra senhora”. Mas eu quero passar... E foi andando, andando e andando. Quando de repente a tal mulher, vestida de branco e de chapéu panamá enterrado na cabeça, saiu de trás do tronco da gameleira e pulou no meio da estrada... E o Zabé mais uma vez gritou - “cruz credo”, fora satanás, fora caramunhão e pula daqui, pula dali e saltou em falso fora do caminho, agarrando nos galhos de um Ingá para não cair dentro do rio. O Zezito que vinha um pouco atrás, lembrou da taca e cheio de ginga, também resmungou - “Virgemaria”, “fora cão doido”, “alma do outro mundo”... E puxou uma “tacada” na dona assombração, que dizem que tinha uma voz fininha... Mas ela soltou um “urro” tão grosso, que a rua inteira escutou aquele gemido, e o Zabé já refeito da perda de equilíbrio e vendo o parceiro em apuros, puxou mais uma lambada, mais outra e só se ouvia uma voz sofrida - “ai... ai... ai... ai...”, chega, chega covardes, “me acode”, “socorro gente”... E para surpresa de todos que mesmo de longe também estavam arrepiados e querendo correr, a assombração, tirando o vestido branco e o chapéu panamá, bradou para os quatro cantos, “páaara” Zezito, “páaaaaara” Zabé, sou eu, sou eu, o Juquinha, pára, não bata mais, pelo amor de Deus... Socorro... Socorro, gente... Socorro e sumiu no mato que nem assombração mesmo, pelas curvas da estrada. Por mais de dez dias ninguém viu o Juquinha na rua, exceto quando ele ia na farmácia do Guido, comprar algum analgésico ou alguma pomada para passar nas chagas adquiridas. E assim, mais um mistério de assombração foi desvendado e gravado nos arquivos do folclore de nossa terrinha... E não é ? ( w.catizany)