Conheci um parente de um amigo meu que nos papos de barzinho, assim depois da sétima dose, de vez em quando se gabava tanto que até dava para desconfiar: - “coalhada é isto, coalhada é aquilo, coalhada é ...”. Pois é, mas não demorou muito e descobrimos que aquele falatório era para esconder a baixa performance. Já tinha até queixa no Procon Municipal. E numa tarde quente de vento norte no Quiosque Fim de Tarde correu notícia que o citado parente havia sido notificado pela Justiça Municipal por propaganda enganosa incurso em vários artigos, inclusive no XXVII - postura incorreta do “Bráulio”. Com sua condição de macho ferida e em dúvida quanto ás providências a serem tomadas, resolveu procurar ajuda médica, ao invés de jurídica. Ficou vários dias estudando uma maneira de não despertar suspeita. Tentou uma solução imediata e local, passando perto da única Farmácia do lugarejo por várias vezes e não teve coragem de falar nada, afinal eram todos conhecidos; ficava olhando algumas caixinhas de medicamento, pensando, resolvendo , envergonhado, cabeças baixas, sempre procurando o que não existia. Não tinha coragem de nada. Resolveu mudar de plano e deu sorte. Descobriu que seu irmão estava de malas prontas para a capital e abriu o verbo. Era melhor falar com o de casa do que o de fora. O mano do dito cujo, que viajaria no outro dia para tratar de outros assuntos e visitar um Doutor que de vezes em quando passava pela cidade, e que além de amigo dos dois, era pai de outro médico, profissional renomado, que já trabalhou na cidade por um bom tempo, se interessou pelo assunto e fez pacto, afinal também já estava com reclamações no Juizado de Pequenas Causas e pelos mesmos motivos. Tornaram-se cúmplices e sócios do drama. Combinaram até em rachar a gasolina da viagem e dividir a solução. A encomenda estava feita. Foram quatro dias de apreensão e ansiedade. Numa sexta-feira a encomenda chegou junto com uma papel branco. Eram as orientações e prescrições do amigo Doutor. Sete cartela, três para um, três para outro e a sétima seria dividida ao meio. E foram guardadas a sete chaves. Naquela tarde quente de vento sul, a euforia dos dois voltou a reinar: “coalhada é isto, coalhada é aquilo, coalhada é ...”. E foi até incomum porque nenhum dos dois quis beber nada de álcool, apenas beliscaram poucos petiscos. Quando a noite caiu e o papo da turma já tinha passado por religião, política, futebol e mulheres, um dos dois se ausentou por um instante e voltou enfurecido. Chamou o sócio de lado e soltou os cachorros. Escutava-se palavrões, via-se gestos nervosos, decepção total. E a fossa tomou conta dos dois. Sentaram novamente na mesa cabisbaixos sem que ninguém entendesse nada naquele momento, e entortaram a “cara “. Na outra mesa, calado e com cara de safado e sem que quase ninguém percebesse, um cunhado dos dois irmãos, saiu de fininho, desconfiado, já com as faces avermelhadas, mas muito satisfeito e tomou rumo de casa. Por quase uma semana ninguém viu o sujeito na rua. Mas, no sábado, a turma estava no mesmo lugar quando ouviram gritos de socorro urgente para levar o alguém ao Posto de Saúde. Era o cunhado dos meus amigos sendo carregado para o carro. Acharam que era mal súbito, início de infarto e bebida em excesso. Todos acompanharam o enfermo, preocupados. E não é que no Posto de Saúde, tendo o médico como Delegado e as enfermeiras como testemunhas, toda a história daquele dia foi esclarecida, e de sobra, o doente passou a meliante ! É que no relatório do médico constava que o Sujeito, cunhado dos meus amigos, havia sofrido uma intoxicação violenta por uso indevido de Citrato de Sidenafil ... Pois é, quem diria, por “linhas tortas” descobriram o motivo da depressão dos meus amigos naquele dia e por tabela que o autor da subtração indevida daquela encomenda, os viagras, era simplesmente o cunhado deles... ( w.catizany)
domingo, 1 de fevereiro de 2009
E NÃO É
A Descoberta do Meliante
Conheci um parente de um amigo meu que nos papos de barzinho, assim depois da sétima dose, de vez em quando se gabava tanto que até dava para desconfiar: - “coalhada é isto, coalhada é aquilo, coalhada é ...”. Pois é, mas não demorou muito e descobrimos que aquele falatório era para esconder a baixa performance. Já tinha até queixa no Procon Municipal. E numa tarde quente de vento norte no Quiosque Fim de Tarde correu notícia que o citado parente havia sido notificado pela Justiça Municipal por propaganda enganosa incurso em vários artigos, inclusive no XXVII - postura incorreta do “Bráulio”. Com sua condição de macho ferida e em dúvida quanto ás providências a serem tomadas, resolveu procurar ajuda médica, ao invés de jurídica. Ficou vários dias estudando uma maneira de não despertar suspeita. Tentou uma solução imediata e local, passando perto da única Farmácia do lugarejo por várias vezes e não teve coragem de falar nada, afinal eram todos conhecidos; ficava olhando algumas caixinhas de medicamento, pensando, resolvendo , envergonhado, cabeças baixas, sempre procurando o que não existia. Não tinha coragem de nada. Resolveu mudar de plano e deu sorte. Descobriu que seu irmão estava de malas prontas para a capital e abriu o verbo. Era melhor falar com o de casa do que o de fora. O mano do dito cujo, que viajaria no outro dia para tratar de outros assuntos e visitar um Doutor que de vezes em quando passava pela cidade, e que além de amigo dos dois, era pai de outro médico, profissional renomado, que já trabalhou na cidade por um bom tempo, se interessou pelo assunto e fez pacto, afinal também já estava com reclamações no Juizado de Pequenas Causas e pelos mesmos motivos. Tornaram-se cúmplices e sócios do drama. Combinaram até em rachar a gasolina da viagem e dividir a solução. A encomenda estava feita. Foram quatro dias de apreensão e ansiedade. Numa sexta-feira a encomenda chegou junto com uma papel branco. Eram as orientações e prescrições do amigo Doutor. Sete cartela, três para um, três para outro e a sétima seria dividida ao meio. E foram guardadas a sete chaves. Naquela tarde quente de vento sul, a euforia dos dois voltou a reinar: “coalhada é isto, coalhada é aquilo, coalhada é ...”. E foi até incomum porque nenhum dos dois quis beber nada de álcool, apenas beliscaram poucos petiscos. Quando a noite caiu e o papo da turma já tinha passado por religião, política, futebol e mulheres, um dos dois se ausentou por um instante e voltou enfurecido. Chamou o sócio de lado e soltou os cachorros. Escutava-se palavrões, via-se gestos nervosos, decepção total. E a fossa tomou conta dos dois. Sentaram novamente na mesa cabisbaixos sem que ninguém entendesse nada naquele momento, e entortaram a “cara “. Na outra mesa, calado e com cara de safado e sem que quase ninguém percebesse, um cunhado dos dois irmãos, saiu de fininho, desconfiado, já com as faces avermelhadas, mas muito satisfeito e tomou rumo de casa. Por quase uma semana ninguém viu o sujeito na rua. Mas, no sábado, a turma estava no mesmo lugar quando ouviram gritos de socorro urgente para levar o alguém ao Posto de Saúde. Era o cunhado dos meus amigos sendo carregado para o carro. Acharam que era mal súbito, início de infarto e bebida em excesso. Todos acompanharam o enfermo, preocupados. E não é que no Posto de Saúde, tendo o médico como Delegado e as enfermeiras como testemunhas, toda a história daquele dia foi esclarecida, e de sobra, o doente passou a meliante ! É que no relatório do médico constava que o Sujeito, cunhado dos meus amigos, havia sofrido uma intoxicação violenta por uso indevido de Citrato de Sidenafil ... Pois é, quem diria, por “linhas tortas” descobriram o motivo da depressão dos meus amigos naquele dia e por tabela que o autor da subtração indevida daquela encomenda, os viagras, era simplesmente o cunhado deles... ( w.catizany)
Conheci um parente de um amigo meu que nos papos de barzinho, assim depois da sétima dose, de vez em quando se gabava tanto que até dava para desconfiar: - “coalhada é isto, coalhada é aquilo, coalhada é ...”. Pois é, mas não demorou muito e descobrimos que aquele falatório era para esconder a baixa performance. Já tinha até queixa no Procon Municipal. E numa tarde quente de vento norte no Quiosque Fim de Tarde correu notícia que o citado parente havia sido notificado pela Justiça Municipal por propaganda enganosa incurso em vários artigos, inclusive no XXVII - postura incorreta do “Bráulio”. Com sua condição de macho ferida e em dúvida quanto ás providências a serem tomadas, resolveu procurar ajuda médica, ao invés de jurídica. Ficou vários dias estudando uma maneira de não despertar suspeita. Tentou uma solução imediata e local, passando perto da única Farmácia do lugarejo por várias vezes e não teve coragem de falar nada, afinal eram todos conhecidos; ficava olhando algumas caixinhas de medicamento, pensando, resolvendo , envergonhado, cabeças baixas, sempre procurando o que não existia. Não tinha coragem de nada. Resolveu mudar de plano e deu sorte. Descobriu que seu irmão estava de malas prontas para a capital e abriu o verbo. Era melhor falar com o de casa do que o de fora. O mano do dito cujo, que viajaria no outro dia para tratar de outros assuntos e visitar um Doutor que de vezes em quando passava pela cidade, e que além de amigo dos dois, era pai de outro médico, profissional renomado, que já trabalhou na cidade por um bom tempo, se interessou pelo assunto e fez pacto, afinal também já estava com reclamações no Juizado de Pequenas Causas e pelos mesmos motivos. Tornaram-se cúmplices e sócios do drama. Combinaram até em rachar a gasolina da viagem e dividir a solução. A encomenda estava feita. Foram quatro dias de apreensão e ansiedade. Numa sexta-feira a encomenda chegou junto com uma papel branco. Eram as orientações e prescrições do amigo Doutor. Sete cartela, três para um, três para outro e a sétima seria dividida ao meio. E foram guardadas a sete chaves. Naquela tarde quente de vento sul, a euforia dos dois voltou a reinar: “coalhada é isto, coalhada é aquilo, coalhada é ...”. E foi até incomum porque nenhum dos dois quis beber nada de álcool, apenas beliscaram poucos petiscos. Quando a noite caiu e o papo da turma já tinha passado por religião, política, futebol e mulheres, um dos dois se ausentou por um instante e voltou enfurecido. Chamou o sócio de lado e soltou os cachorros. Escutava-se palavrões, via-se gestos nervosos, decepção total. E a fossa tomou conta dos dois. Sentaram novamente na mesa cabisbaixos sem que ninguém entendesse nada naquele momento, e entortaram a “cara “. Na outra mesa, calado e com cara de safado e sem que quase ninguém percebesse, um cunhado dos dois irmãos, saiu de fininho, desconfiado, já com as faces avermelhadas, mas muito satisfeito e tomou rumo de casa. Por quase uma semana ninguém viu o sujeito na rua. Mas, no sábado, a turma estava no mesmo lugar quando ouviram gritos de socorro urgente para levar o alguém ao Posto de Saúde. Era o cunhado dos meus amigos sendo carregado para o carro. Acharam que era mal súbito, início de infarto e bebida em excesso. Todos acompanharam o enfermo, preocupados. E não é que no Posto de Saúde, tendo o médico como Delegado e as enfermeiras como testemunhas, toda a história daquele dia foi esclarecida, e de sobra, o doente passou a meliante ! É que no relatório do médico constava que o Sujeito, cunhado dos meus amigos, havia sofrido uma intoxicação violenta por uso indevido de Citrato de Sidenafil ... Pois é, quem diria, por “linhas tortas” descobriram o motivo da depressão dos meus amigos naquele dia e por tabela que o autor da subtração indevida daquela encomenda, os viagras, era simplesmente o cunhado deles... ( w.catizany)
