sábado, 1 de novembro de 2008

E NÃO É

AQUELA TRAÍRA

Essa é de doer, mas, causo é causo e se não tiver tempero não tem gosto ! Na minha cidadezinha tem muito pescador, mas também pudera sem muito o que fazer, o negócio é pescar. E cada dia a corporação aumenta, pois os nossos visitantes experimentam o passa-tempo e logo se alistam no Sindicato. Não foi diferente com um nosso amigo ilustre, Vereador de nossa Comarca que até já recebeu o Título de Cidadão Honorário da nossa cidadezinha e agora já somos até conterrâneos e pescadores do mesmo rio. Numa dessas pescarias, o Edil com um seu Colega da Câmara local resolveram montar barraca no Poço do Limão, no distrito da Colônia; e meu irmão, aquele do Hotel Catizani, resolveu visitá-los e aproveitando a oportunidade, levou um molinete que havia adquirido recentemente para nos intervalos das conversas, dar um banho nas outras minhocas. Neste dia, um fato curioso, sucedeu. Meu mano, na sua “agitação” de sempre, resolveu, com sua força de “tigre”, fazer o lançamento do anzol para o meio do rio e abusou tanto da força que viu sua linha enganchar numa grande árvore ribeirinha, do outro lado. Tentou puxar a linhada várias vezes com intuito de recuperar o anzol e a chumbada, mas não teve êxito. Para não perder a pescaria, uma vez que o local estava p’ra pescador, os amigos Vereadores, resolveram emprestar-lhe um molinete reserva. E na brincadeira, disseram-lhe que era um vara mágica, destinada apenas aos grandes pescadores, por isso tivesse bastante cuidado. E não é que ele acreditou ! Pois bem, enquanto esperava por uma “puxada” daquelas, aconteceu uma surpresa. A vara que começou a mexer era aquela presa na árvore. De repente, um vulto saiu das entranhas daqueles galhos e começou a voar. Sem entender o que estava acontecendo, todos olharam para o alto e tiveram um inesperado acontecimento. O anzol, havia fisgado um Jacu !!! Com o reflexo de um “bom” pescador, o mano, ferrou o bicho e começou a travar um belo duelo com a ave. “Experiente que só ele”, cansou a presa, até que, estafada, ela caiu dentro d’água, no meio do rio. Até aí tudo bem, era apenas mais um caso de pescaria que não deu certo, mas outra história daquelas que só acontecem em Santo Antônio, ainda estava por vir. Uma enorme traíra, daquelas que minha geração ainda não havia visto, nadava faminta nos arredores do acontecido e ao ver a ave lutando para sobreviver, não pensou duas vezes e não deu outra. Afinal, era uma refeição de baleia, rainha dos mares e se serviu inteira. Na sua fuga, carregou toda a linha da carretilha rumo à sua toca. Os dois políticos, pescadores bem vivos e querendo dividir os louros da façanha, pularam na água e encurralaram o belo exemplar de peixe entre duas grandes pedras, perto da cachoeira. Conseguiram não sei como, amarrar uma ponta de um cabo de aço na guelra do bicho e, a outra ponta num tronco de uma árvore frondosa, um angico centenário, que fazia sombra sem nem prestar atenção naquela pescaria...Voltando de um serviço onde tinha ido instalar uma porteira numa fazenda e tendo presenciado toda aquela aventura, foi o “Zé Serrador” quem se encarregou de chamar o “Caolho”, servidor municipal, que opera a retroescavadeira da Prefeitura para tirar a “bichona” e colocá-la na carroceria de um caminhão oficial que era dirigido pelo Caio. Foi uma festa na cidade, a notícia saiu nas rodas dos botecos, na revista, no jornal e até quem nunca havia pegado numa máquina virou fotógrafo e registrou o acontecido; mas o mais incrível ainda, é que já fazem dois anos que continuam servindo como “sugestão do dia” no restaurante do meu irmão, traíra a milanesa e dizem que ainda não fritaram nem a metade da danada. Pois bem, e não é que o molinete mágico era o outro... O do meu irmão !!!!!